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Faca Amolada

O livro Faca Amolada, poemas de Waldomiro Peixoto, editado pela Funpec Editora, de Ribeirão Preto/SP, é uma reunião de escritos ao longo de alguns anos e, exatamente por conta disso, não possui unidade temática. Há poemas muito pequenos, quase lacônicos, uma pequena mancha impressa numa folha quase toda vazia, e há os caudalosos que chegam a três páginas. Antonio Carlos Tórtoro e Ely Vieitez Lisboa, ambos educadores e escritores consagrados, membros da Academia Ribeirãopretana de Letras, prefaciaram o livro.

O leitor vai encontrar poemas que abordam a estética literária, a luta pela expressão e o mote justo e a relação do artista com o ato da criação. Também temas subjetivos como solidão, tristeza, velhice, e outros de ordem político-social como violência, fome, abandono, sem-terra, massacres, guerras etc. Há mesmo os construídos sobre matérias jornalísticas por entender seu autor que a realidade, “desglamourizada” e denunciada pela mídia no dia-a-dia, pode ser tão cruel e absurda que, quase sempre, tem superado a ficção ou suas dores subjetivas do poeta.

Há poemas construídos sobre momentos em que a poesia brota das circunstâncias, como aniversários, crianças brincando ou mendigando, indiferença dos que por elas passam e delas pouco se dão conta, borboletas sobre pedras, galo que canta em diálogo com outros galos, a moça triste que se mata na linha do trem, o violinista que arranca das cordas os mais profundos sentimentos. Não importa se o tratamento é subjetivo, pessoal, social ou filosófico, por todos o poeta passeia com quase despudor por serem eles frutos de circunstâncias várias.

Como o leitor poderá constatar, o autor não se prendeu a estéticas, conceitos ou escolas em nem se preocupou em dar qualquer tipo de unidade, seja de forma ou conteúdo. Os poemas foram cometidos e aconteceram, simples assim. Dessa diversidade (quase sem unidade), Tórtoro afirma que “… é justamente isso que nos possibilita uma leitura agradável, que não cansa o leitor que se propuser a atirar no abismo aberto pelo corte de uma faca amolada…”, que EVL parece complementar dizendo que “Assim seguem os poemas, ricos e profundos, mostrando o poeta como um ser ousado que dribla a vida e amedronta a morte.”.

Além dos dois prefácios de Tórtoro e Ely, o próprio autor escreveu, em prosa, três textos – Uma Reflexão à Beira da Sandice, Eventual Leitor e Do Autor – nos quais se encontram considerações que jogam um pouco de luz para a compreensão dos poemas.

BIOGRAFIA

Waldomiro Peixoto nasceu em Ipuã/SP, em 1950, onde ficou até dezoito anos, após os quais se mudou para Ribeirão Preto para completar seus estudos e trabalhar. Aqui se casou, teve duas filhas e criou suas raízes. Morou em outras cidades como Lins, Bauru e Marília e em 2016 voltou para Ribeirão Preto, para reencontro com sua própria história. É formado em Letras pela Instituição Moura Lacerda especializado em Estrutura Morfossintática da Língua Portuguesa pelo Ateneu Barão de Mauá, lecionou durante dezoito anos língua portuguesa, literatura brasileira e infantil, e técnica e metodologia de redação. Tendo deixado o magistério, dedicou-se ao comércio de equipamentos odontológicos por mais de duas décadas, atividade na qual encerrou suas atividades profissionais. Durante muitos anos foi membro do Grupo Literário Flamboyant participou de dezenas de antologias poéticas e agora publica seu primeiro livro de poemas, Faca Amolada, pela Funpec Editora de Ribeirão Preto/SP. É membro fundador da ARE – Academia Ribeirão-pretana de Educação e patrono da Cadeira 35, também acadêmico da ARL – Academia Ribeirãopretana de Letras, ocupando a Cadeira 22, cujo patrono é Veiga Miranda.

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